
Numa etapa tão difícil como a que havia passado - nada agradável -, ela se perguntava porque tudo era muito mais sofrido para determinadas pessoas e para outras a vida corria com mais calma e mais vitórias. Sua vida foi - e estava sendo - muito sofrida... lutas diárias, sempre "correndo atrás da máquina"
... e só.
Esta solidão, na qual ela se via sozinha na batalha, sem nenhum ombro ou ajuda, era o que mais a deixava triste. Pois "onde dois estão juntos, quando um cai, tem quem o levante"(bíblico). E este apoio, que tanto lhe fazia falta, era um sonho quase inatingível e quase impossível de ser "sonhado" no dia a dia.
Levantou de seu trabalho e, olhando uma revista, seu olhar percorreu algumas linhas onde assim estava escrito:
-"Pior solidão é aquela que sentimos quando estamos acompanhados".
Maria sorriu... a resposta estava ali. Mas nem precisava estar, porque Maria sempre foi só, mesmo quando estava acompanhada. Ela sabia muito bem o que queria dizer isto.
A música que escutava lembrava um final de semana se aproximando... ou ja em pleno andamento. E , mais uma vez, tudo seria igual. Tudo se repetia na vida de Maria, como se repetia o sol, ao nascente e ao poente. Os raios do sol, pelo menos, mudavam de tom e intensidade, dependendo do tempo, do dia. Mas os dias de Maria permaneciam iguais...
dolorosamente iguais...
infinitamente iguais...
sofridamente iguais...
Uma musica suave tocava, naquele momento... E Maria permitiu-se perambular pelas calçadas da mente, dançar nos jardins dos pensamentos... abraçar um amor imaginário e saltitar por entre arbustos e flores, cantando e encantando... levando em seus ombros o manto da alegria e da paz por poder sonhar... e era livre para sonhar.
Talvez tenham tirado tudo de Maria... mas não sua liberdade de sonhar. Não sua liberdade de "crer contra a esperança" ... não sua liberdade de saber-se triste por momentos, mas compreender que superaría a dor e continuaría a viver... a lutar...
e a vencer, em algum dia, em algum lugar...
ou pelo menos:
... em alguma coisa!
by Miriam, ainda em recuperação.