
Maria baixou a cabeça e seguiu a passo... Estava prestes a perceber o que não tinha intenção de tomar consciência.
Parou, subitamente... Olhou para trás e se viu a mesma boba de sempre. Aquela que confiava da mesma forma como se dava a confiar. Acreditara na verdade, contra todas as evidências. Acreditara na sua intuição, contra todas as claras manifestações de pessoas amigas, que tentavam lhe dizer que não podería ser verdade. Que estava apenas intuindo com seu coração, e não com a razão.
Estivera caminhando na frente de seu prédio... um pequeno jardim... (ou parque?) com bancos e canteiros... onde os moradores faziam suas reuniões de agradável estilo. Sentou-se... e olhou às flores que estavam começando a nascer. A primavera estava chegando. Poucos dias faltavam. E, agora, ela teria as flores ali, ao abrir as janelas. Lindas, perfumadas. Deixando a sensação de estar entre a natureza e as bençãos do Pai.
Não queria mais pensar em nada... e brincou com seus pés... balançou-os... colocou suas mãos sob suas pernas... seu interior era de uma criança - não crescera... e nem queria. Sua postura frente à vida, com sua sinceridade, verdade e confiança era o que lhe dava estímulo para viver.
O latido de sua mimosinha fez-se ouvir... convidava a sair para a rua. E Maria deixou-se levar até o portão de entrada. E saiu... caminhando, com os olhos fixos em nada... e em tudo. Caminhou... caminhou... caminhou... perdeu-se no tempo e o sol já estava se escondendo.
Voltou-se e fez o caminho contrário. Quando estava quase chegando ao Condomínio, uma brisa suave a tocou. Fechou os olhos, levantando ligeiramente a cabeça... uma sensação de plenitude a invadiu e, decerto, manifestou-se em em seu rosto. Sentia-se viva e queria esquecer as tristezas... quando... ao abrir os olhos o viu a se dirigir para a sua calçada... estava próximo e a olhava, com um sorriso. Quem era ele? Porque lhe dava aquela sensação de proximidade... olhos brilhantes... Aquele sorriso...
Maria seguiu seu caminho. E ele também. Quando entrou no seu prédio, ao pegar a chave, olhou para trás. E ele estava a entrar, também, no portão. Sorriu para Maria. E Maria sorriu para ele. Estavam tão próximos e, ao mesmo tempo, tão distantes...
Alguém a cumprimentou... outros moradores, também. E, o olhar foi se afastando e deixando de cruzar... seguiu para seu Bloco, sem olhar mais para trás. Mas, com certeza, ele havia cruzado seu caminho pela primeira vez. Estava ali... e estaría depois. Se esta fosse a vontade de Deus.
Sorriu mais uma vez. Embora seu coração estivesse apertado e triste, a primavera estava chegando... com suas flores, com seu perfume. Quem sabe, com uma nova presença?
Era aguardar... e sonhar.
by Miriam